Blog

Custo de vida

Custo de vida na Itália em 2026: quanto uma família gasta por mês na Lombardia

Alexandre15 de outubro de 2026 · 23 anos vivendo na Itália

Olhar para a Itália pela tela do celular é fácil. A luz do fim de tarde, a catedral de Milão, o aperitivo com os amigos: tudo parece perfeito. Mas quando você pisa nesse chão para morar e sustentar uma família, a história é outra.

Quando eu cheguei aqui, em 2003, não existia rede social nem ninguém para me dizer quanto custava a vida. Eu tinha só a coragem e a responsabilidade de fazer dar certo pela minha família. Hoje, depois de 23 anos na Itália, sendo os últimos na província de Monza e Brianza, eu quero te dar o que eu não tive: números claros.

Os valores abaixo são da Lombardia, região de Milão, com referência em agosto de 2026. Muitos vêm da minha própria casa, onde moramos em cinco adultos: eu, a Clarissa e nossos três filhos.

Resumo: quanto custa viver na Itália por mês

Para uma família se estabelecer na Lombardia, a conta básica de vida gira em torno de 2.200 a 2.600 euros por mês.

Despesa Valor de referência
Aluguel de um apartamento de 2 quartos (trilocale) 900 – 1.100 €/mês
Energia elétrica 120 – 150 €/mês
Aquecimento a gás no inverno até ~2.000 €/ano
Taxa do lixo (TARI) ~190 €/ano
Internet e celulares ~94 €/mês (5 linhas)
Supermercado, família de 3 a 4 pessoas 600 – 700 €/mês
Passe de transporte Monza–Milão 60 – 70 €/mês

Agora, vamos item por item.

Moradia: o aluguel é só a ponta do iceberg

Um apartamento de dois quartos, o que aqui chamamos de trilocale, custa entre 900 e 1.100 euros de aluguel seco na região de Monza e Milão.

O erro do imigrante iniciante é achar que o aluguel é a única conta. Atrás dele vêm:

  • Condomínio, que varia muito de prédio para prédio. Quando morávamos num apartamento próprio de 90 m², pagávamos cerca de 150 euros.
  • Taxa do lixo (TARI), calculada pela prefeitura com base no tamanho do imóvel e no número de moradores. Na minha casa, fica em torno de 190 euros por ano.
  • Aquecimento, que eu explico mais abaixo, porque merece um capítulo próprio.

E tem o caixa de entrada. Para assinar um contrato formal, você paga normalmente três meses de caução, o primeiro mês adiantado e a comissão da imobiliária. Ou seja, você precisa de 3.500 a 5.000 euros disponíveis só para pegar a chave na mão.

Preciso ser transparente: hoje eu pago 600 euros num apartamento de 105 m², mas isso é preço de amigo, que eu só consegui pelas amizades que construí aqui. No mercado, o mesmo imóvel sairia entre 900 e 1.000 euros. Não use o meu valor como referência.

Se você quer entender por que alugar é a parte mais difícil para o brasileiro, eu escrevi sobre isso em detalhes: Como alugar casa na Itália sendo brasileiro.

Contas da casa: luz, gás e internet

O sistema aqui é diferente do Brasil. As contas de luz e gás chegam a cada dois meses. Eu já vivi a época das contas semestrais, quadrimestrais e trimestrais, e a tendência agora é que passem a ser mensais.

  • Energia elétrica: de 120 a 150 euros por mês na minha realidade, numa casa com máquina de lavar roupa rodando todo dia, lava-louças, forno elétrico e ar-condicionado. Uma família menor e mais econômica gasta menos.
  • Taxa da TV estatal (canone RAI): cerca de 9 euros, que já vêm embutidos na conta de luz.
  • Internet e celular: pagamos 94 euros por mês na TIM, com fibra ótica e cinco linhas 5G ilimitadas. Somando Spotify família e Amazon Prime, são mais 26 euros.

Aquecimento: a conta que pega o brasileiro de surpresa

É aqui que o orçamento aperta se você não dosar. Com os radiadores (termosifoni) ligados, o gás de uma casa média pode chegar facilmente a 2.000 euros por ano só de aquecimento. Dependendo da região, mais ainda.

E se o aquecimento do prédio for centralizado, você não controla tanto quanto gostaria. Isso pode desestruturar o orçamento de quem não se preparou.

Quando morávamos na Ligúria, numa casa enorme com 12 cômodos e 12 radiadores, a solução foi instalar uma estufa a pellet, aquela lenha prensada. O saco de 15 quilos custava uns 4 euros. Eu ia ao depósito, carregava saco atrás de saco no braço, estocava na garagem e colocava um por dia na estufa. É uma opção econômica, mas exige braço e espaço. Quem vem do Brasil não faz ideia da logística do inverno até viver isso na pele.

Supermercado e alimentação

A inflação chegou na Europa inteira, e a Itália não ficou de fora. O mesmo carrinho que antes da pandemia custava 600 euros para a minha família hoje custa cerca de 1.000 euros por mês, para cinco adultos comendo bem, com proteína todos os dias e sem luxos desnecessários.

Para uma família de 3 ou 4 pessoas bem organizada, o mercado gira em torno de 600 a 700 euros por mês. Nas redes de desconto como Eurospin e Lidl, dá para economizar ainda mais.

E a qualidade dos alimentos é outro nível. Quase todo brasileiro que eu recebo comenta isso nos primeiros dias.

Lazer: quanto custa uma pizza, um café, um gelato

  • Pizza para a família inteira: 70 a 100 euros
  • Jantar num bom restaurante: 250 a 300 euros
  • Café expresso no balcão: cerca de 1,10 euro
  • Gelato: 3,50 a 4 euros

Mas o maior lazer da Itália não custa nada: são os parques públicos impecáveis, a arquitetura e a segurança de caminhar à noite com o celular na mão sem olhar para trás.

Transporte: dá para viver sem carro?

No norte, em cidades bem escolhidas, dá para viver perfeitamente sem carro. A malha da ATM Milano e da Trenord é um espetáculo.

Bilhete ou passe Valor
Bilhete urbano simples em Milão 2,20 €
Bilhete de trem Monza → Milão 2,60 €
Passe mensal de estudante (Milão) 22 €
Passe mensal ordinário (Milão) 39,50 €
Passe mensal integrado Monza–Milão (trem + metrô) 60 – 70 €

Um casal que eu acompanhei chegou achando que o trem de Monza a Milão custaria uns 12 euros. Quando viram que eram 2,60, acharam que tinham comprado o bilhete errado.

E se você precisar de carro? Hoje eu tenho um carro por assinatura, um SUV médio novo, por 585 euros por mês com tudo incluso: seguro, impostos, manutenção e pneus. Mas não use isso como referência. Quando cheguei, meu primeiro transporte foi uma moto velha que passei dias consertando. Depois de um ano e meio, comprei um Fiat Panda velhinho por 300 euros. Cada fase da imigração tem o seu degrau. Você começa no degrau que dá e vai subindo com dignidade.

Salário: a conta fecha com uma renda só?

O salário médio de um profissional por aqui gira em torno de 1.500 euros por mês.

Faça a conta comigo: se a vida de uma família custa entre 2.200 e 2.600 euros, uma renda só não fecha, ou exige uma economia muito agressiva. Quando dois adultos trabalham e a renda familiar chega a uns 3.000 euros, a matemática fecha com sobra, paz e margem para poupar.

É o que eu chamo de engenharia familiar. A Itália que eu conheço é generosa com quem se organiza assim.

Na prática: checklist antes de fazer as malas

  • Reserva para a entrada no aluguel: 3.500 a 5.000 €
  • Reserva para os primeiros meses sem renda (aluguel + contas + mercado)
  • Plano de renda para dois adultos
  • Orçamento separado para o primeiro inverno
  • Cidade escolhida pelo perfil da família, com transporte público que funcione
  • Documentação resolvida: cidadania ou visto bem amarrado

A matemática começa antes da mala

O primeiro passo para viver tudo isso nunca é a mala. É a estratégia documental. Vir sem cidadania ou sem um visto bem amarrado é o maior risco que um pai de família pode correr. O aluguel exige contrato formal, o hospital exige cadastro, a escola dos filhos exige residência legal. Sem chão jurídico, a sua reserva financeira derrete enquanto você tenta se equilibrar.

A Itália não é um país para amadores. Ela é generosa com quem se prepara, mas implacável com quem vem na ilusão.

Perguntas frequentes

Quanto custa morar na Itália por mês? Para uma família na Lombardia, a conta básica fica entre 2.200 e 2.600 euros por mês, incluindo aluguel, contas, mercado e transporte. No sul e em cidades menores, o custo tende a ser menor, mas as oportunidades de trabalho também.

Quanto preciso ter guardado para me mudar para a Itália? Só para entrar num aluguel formal, de 3.500 a 5.000 euros. Some a isso a reserva para os meses em que você ainda não terá renda.

Um salário de 1.500 euros sustenta uma família na Itália? Na Lombardia, dificilmente. O ideal é que dois adultos trabalhem.

Dá para morar na Itália sem carro? Sim, em cidades bem servidas de transporte, como Milão e Monza. Um passe mensal integrado entre as duas cidades custa de 60 a 70 euros.


Quer montar o orçamento da sua família com os pés no chão? No meu guia digital eu organizei o passo a passo para você se planejar antes de embarcar. E se quiser o meu acompanhamento direto para mapear a sua chegada, cidade, aluguel e documentos, conheça a mentoria individual.

Continue lendo